Não aguento mais
Não suporto isto
Não quero continuar assim
Só desejo que tudo acabe e ser feliz
Debaixo do azul imenso do céu
infinitamente profundo,
Como a alma que o meu corpo transporta,
Escrevo e tento passar para uma folha
Tudo aquilo que sou e tenciono ser
Ao logo desta jornada a que vulgarmente
chamam vida
Estudo a pormenor quem passa por mim
Na estrada dolorosa deste purgatório
Sim, purgatório, ou até mesmo inferno
profundo e ardente
Mas prefiro pensar que tudo no fim
melhora
E um paraíso qualquer, neste mundo ou
noutro,
Me acolherá de braços abertos
E aí sim, serei feliz e verdadeiro
comigo mesmo,
Pararei de viver assim, sobrevivendo
tristemente no meu dia-a-dia
Dividido entre o desejo de te ter
E o ódio que guardo por te amar
demasiado
Amo-te demais e tu desiludiste-me
Descartaste-me como um utensílio que já
não tem utilidade
Uma máquina pela qual fingias ter
amizade
Para que funcionasse corretamente e te
desse tudo.
A saudade que tenho de teu corpo
Supera o ódio que sinto pelas tuas
atitudes para comigo,
O teu olhar penetrante e forte
Foi outrora a minha desgraça completa,
Hipnotizaste-me e nunca mais te larguei
ate me magoares a sério.
(Como o tempo passa sem se dar conta...
E tudo muda, e muda de rompante
A alegria cai por terra e tudo se torna
mais difícil)
Apesar de nunca me teres amado,
Eu contigo sentia-me feliz e realizado,
Ter-te ali comigo, envolvidos naquele
amor encenado
Em troca de tudo aquilo que eu te dei
Que estúpido que fui em pensar que isso
pagava o teu amor!
Que estúpido que fui ao acreditar no
impossível!
Que estúpido que fui em julgar que me
amavas!
Que estúpido que fui ao estragar a
minha vida por ti!
Pergunto-me se tu mereceste tudo isto
E por mais que tente dizer que não
O meu amor por ti fala mais alto
E por mais mal que me faças ou
tivesses feito
É o meu destino gostar de ti até
ao fim dos meus dias.
O que fui e o que vivi a teu lado nunca
sairá de mim
Terei de viver para sempre com a mágoa
De não te ter a meu lado a proteger-me
A beijar-me
A abraçar-me
E a apoiar-me em todos os meus
infortúnios.
O céu continua azul
Límpido e com sol de encandear a vista,
Mas está tudo tão gelado,
É inverno e tudo está a morrer
Para renascer novamente nas tardes
quentes de primavera,
Assim como quero que aconteça comigo
mesmo,
Um renascer para a vida
Com um sorriso nos lábios
E os olhos iluminados radiando cor e
alegria
No lugar onde outrora lágrimas salgadas
caíam.
Algo novo irá nascer em mim
Uma pessoa que realmente quero ser
Alguém que esqueceu o passado
E até o amor cego que tanto teima em
não desaparecer.
Sinto que tudo irá correr melhor,
A sorte estará sempre a meu favor,
Serei feliz e encontrarei quem me
mereça,
Quem dê valor a tudo o que sou
E consiga reconhecer em mim alguém com
um valor especial.
Vais te arrepender de tudo o que
fizeste
E aí será tarde demais
Será tarde demais para vires ter
comigo e me dares valor
Já não me vou importar mais contigo
Apesar de o meu amor por ti permanecer.
Não quiseste a minha amizade
E eu agora já não sei se quero a tua
Alguém melhor que tu está prestes a
chegar, tenho a certeza
E por fim irás pertencer ao passado
negro da minha vida
Mas já chega!
Já chega de falar de ti e só de ti!
A minha vida não se pode resumir a alguém que não me ama
Já chega de falar de ti e só de ti!
A minha vida não se pode resumir a alguém que não me ama
A alguém que depois de tudo o que fiz
Nem um obrigado me deu, apenas um fim
repentino
Quando tudo parecia estar bem.
Sai, sai, sai da minha cabeça!
Sai memoria persistente que me assola o dia!
Sai memoria persistente que me assola o dia!
Sai de mim obcecação por quem não me
merece!
Sai, sai, sai!
Chega de ter medo do amanhã!
Chega de pensar sempre nas
consequências!
Chega de ver o amor onde não existe!
Chega, chega, chega!
Chega de me isolar nos meus
pensamentos!
Chega de chorar por quem não merece!
Chega de viver só e desapontado!
Chega, chega chega!
Ah pudesse eu voltar atrás no tempo...
Mas sabendo tudo o que sei hoje.
Ah pudesse eu voltar atrás no tempo...
Mas sabendo tudo o que sei hoje.
João Duarte 18 de Dezembro de 2013