quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Depois do amor.

Não aguento mais
Não suporto isto
Não quero continuar assim
Só desejo que tudo acabe e ser feliz

Debaixo do azul imenso do céu infinitamente profundo,
Como a alma que o meu corpo transporta,
Escrevo e tento passar para uma folha
Tudo aquilo que sou e tenciono ser
Ao logo desta jornada a que vulgarmente chamam vida

Estudo a pormenor quem passa por mim
Na estrada dolorosa deste purgatório
Sim, purgatório, ou até mesmo inferno profundo e ardente
Mas prefiro pensar que tudo no fim melhora
E um paraíso qualquer, neste mundo ou noutro,
Me acolherá de braços abertos
E aí sim, serei feliz e verdadeiro comigo mesmo,
Pararei de viver assim, sobrevivendo tristemente no meu dia-a-dia
Dividido entre o desejo de te ter
E o ódio que guardo por te amar demasiado

Amo-te demais e tu desiludiste-me
Descartaste-me como um utensílio que já não tem utilidade
Uma máquina pela qual fingias ter amizade
Para que funcionasse corretamente e te desse tudo.

A saudade que tenho de teu corpo
Supera o ódio que sinto pelas tuas atitudes para comigo,
O teu olhar penetrante e forte
Foi outrora a minha desgraça completa,
Hipnotizaste-me e nunca mais te larguei ate me magoares a sério.

(Como o tempo passa sem se dar conta...
E tudo muda, e muda de rompante
A alegria cai por terra e tudo se torna mais difícil)

Apesar de nunca me teres amado,
Eu contigo sentia-me feliz e realizado,
Ter-te ali comigo, envolvidos naquele amor encenado
Em troca de tudo aquilo que eu te dei

Que estúpido que fui em pensar que isso pagava o teu amor!
Que estúpido que fui ao acreditar no impossível!
Que estúpido que fui em julgar que me amavas!
Que estúpido que fui ao estragar a minha vida por ti!
Pergunto-me se tu mereceste tudo isto
E por mais que tente dizer que não
O meu amor por ti fala mais alto
E por mais mal que me faças ou tivesses feito
É o meu destino gostar de ti até ao fim dos meus dias.

O que fui e o que vivi a teu lado nunca sairá de mim
Terei de viver para sempre com a mágoa
De não te ter a meu lado a proteger-me
A beijar-me
A abraçar-me
E a apoiar-me em todos os meus infortúnios.

O céu continua azul
Límpido e com sol de encandear a vista,
Mas está tudo tão gelado,
É inverno e tudo está a morrer
Para renascer novamente nas tardes quentes de primavera,
Assim como quero que aconteça comigo mesmo,
Um renascer para a vida
Com um sorriso nos lábios
E os olhos iluminados radiando cor e alegria
No lugar onde outrora lágrimas salgadas caíam.

Algo novo irá nascer em mim
Uma pessoa que realmente quero ser
Alguém que esqueceu o passado
E até o amor cego que tanto teima em não desaparecer.

Sinto que tudo irá correr melhor,
A sorte estará sempre a meu favor,
Serei feliz e encontrarei quem me mereça,
Quem dê valor a tudo o que sou
E consiga reconhecer em mim alguém com um valor especial.

Vais te arrepender de tudo o que fizeste
E aí será tarde demais
Será tarde demais para vires ter comigo e me dares valor
Já não me vou importar mais contigo
Apesar de o meu amor por ti permanecer.

Não quiseste a minha amizade
E eu agora já não sei se quero a tua
Alguém melhor que tu está prestes a chegar, tenho a certeza
E por fim irás pertencer ao passado negro da minha vida

Mas já chega!
Já chega de falar de ti e só de ti!
A minha vida não se pode resumir a alguém que não me ama
A alguém que depois de tudo o que fiz
Nem um obrigado me deu, apenas um fim repentino
Quando tudo parecia estar bem.

Sai, sai, sai da minha cabeça!
Sai memoria persistente que me assola o dia!
Sai de mim obcecação por quem não me merece!
Sai, sai, sai!

Chega de ter medo do amanhã!
Chega de pensar sempre nas consequências!
Chega de ver o amor onde não existe!
Chega, chega, chega!
Chega de me isolar nos meus pensamentos!
Chega de chorar por quem não merece!
Chega de viver só e desapontado!
Chega, chega chega!

Ah pudesse eu voltar atrás no tempo...
Mas sabendo tudo o que sei hoje.


João Duarte 18 de Dezembro de 2013